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Weezer – Ascensão, queda e recomeço

 

Liderada por Rivers Cuomo, Weezer foi uma das bandas de rock mais influentes dos anos 90. Seu estilo humilde e cativante ajudou a popularizar o gênero Power Pop e mostrou que nerds também podem ser rockstars. Seu álbum de estreia: Weezer (The Blue Album) foi um sucesso tão grande que o videoclipe de “Buddy Holly”, um de seus singles, passou a vir incluso no sistema operacional Windows 95. Com riffs simples mas grudentos e letras descontraídas ou fáceis de ressoar (como uma descrevendo a vida de artista aspirante tocando na garagem de casa, ou uma descrevendo o relacionamento conturbado de Rivers com seu pai), The Blue Album criou grandes expectativas para os próximos trabalhos.

Atualização: Por questões de Direitos Autorais, os vídeos referidos neste post passam a ser acessados por meio de seus links para o YouTube.

Assista no YouTube: Weezer – Buddy Holly

Infelizmente essas expectativas não foram atendidas pelo segundo álbum, Pinkerton. Apesar de hoje ser considerado uma obra prima, em 1996 o seu som mais abrasivo e letras profundamente pessoais não foram muito bem recebidos por fãs e mídia, que chegou até a colocá-lo entre os piores álbuns da década. Para citar um exemplo: apesar de “Across the Sea” (uma música do álbum na qual Cuomo expressa seus sentimentos por uma fã japonesa que lhe mandou uma carta) ser uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos, eu posso ver por que algumas pessoas considerariam a letra meio… vergonhosa. Por anos o próprio Rivers se arrependeu do álbum, o comparando a se humilhar diante de várias pessoas quando se está bêbado em uma festa: é uma experiência catártica no momento, mas no outro dia você percebe o quanto você se fez de idiota, e só quer esquecer tudo aquilo.

Assista no YouTube: Weezer – Across The Sea

Depois do trauma com a recepção de Pinkerton, a mentalidade da banda mudou e ela nunca mais conseguiu a relevância que tinha nos primeiros anos. Ainda houve singles de sucesso como “Island In The Sun” e “Beverly Hills”, mas a partir de 2001 Cuomo evitou expôr os seus conflitos pessoais nas músicas, e quase todos os álbuns posteriores passaram a ser de bons, mas seguros, a pouco inspirados, com muito apelo comercial ao invés de artístico, alienando fãs antigos e obtendo vendas medíocres. Parecia que a banda estava fadada à ruína.

Assista no YouTube – Weezer – Beverly Hills

Isso finalmente mudou em 2014, com Everything Will Be Alright In The End. O álbum foi feito como um pedido de desculpas de Weezer aos fãs, deixado especialmente claro nas primeiras músicas, em que Rivers, em meio a vibrantes solos e power chords evocando a sonoridade do início da banda, celebra os anos de glória, reconhece como ele errou ao mudar a direção da banda, e conclui que, mesmo que eles não alcancem o sucesso de antes, o melhor é morrer fazendo o que gosta, se mantendo fiel às próprias ideias.

Assista no YouTube: Weezer – Back ToThe Shack

Com Weezer já estabelecido como “reabilitado”, em 2016 eles lançaram Weezer (The White Album). Se EWBAITE pode ser considerado o “novo Blue Album”, este pode muito bem ser o “novo Pinkerton”. As similaridades começam na direção do álbum: Enquanto EWBAITE é claramente mais old-school, focando no estilo Power Pop, The White Album é mais complexo e tem uma identidade própria (sem falar que uma de suas músicas, “Do You Wanna Get High?”, parece ter vindo diretamente de Pinkerton, com um estilo bem mais cru e pesado do que o resto do álbum), mas sem deixar de lado as típicas baladas e desilusões amorosas de Rivers, considerando que ele sempre foi um geek estranho obcecado por mulheres. Inclusive, “Thank God For Girls” pode ser a música sobre mulheres mais estranha e experimental que ele já fez (ambos os videos dela são uma boa representação disso), gerando reações mistas de todos os lados, lembrando muito a história do álbum de 1996.

Assista no YouTube: Weezer – Thank God for Girls

Com dois bons álbuns lançados recentemente, o Weezer reconquistou o respeito dos fãs e aparenta ter um futuro muito mais brilhante do que poderia se imaginar há alguns anos. Com isso, convido-lhes a conferir a fundo os seus trabalhos e a se inspirarem com sua história, pois eles mostraram que, mesmo se você for um pária, com criatividade e carisma tudo ficará bem no final.

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